Samuca da paz

Samuca da paz

junho 28, 2017 By instituto-phi

Mudar o próprio destino exige coragem e grande esforço. Mudar o destino de outras pessoas pode ser ainda mais desafiador. A história de Samuel Muniz de Araújo, o Samuca, se assemelha à de milhões de crianças e jovens Brasil afora. O que diferencia sua trajetória é a forte aposta na esperança e na transformação da sociedade. Criado em favelas da Zona Oeste, ele demorou a encontrar o caminho que o realizaria. Começou a trabalhar aos 11 anos, perdeu a mãe pouco depois e, em busca de dinheiro para sustentar o restante da família, tornou-se um dos criminosos mais procurados da cidade na década de 1980.

 

Em liberdade há 20 anos, Samuca conta como virou o jogo e passou a encabeçar o Centro Cultural A História Que Eu Conto, instituição social que atua em Vila Aliança, em Bangu.

 

Samuca, por ele mesmo

Comecei a trabalhar ainda criança como pescador, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Por causa disso, tive que abrir mão dos estudos e do sonho de jogar futebol. Durante uma de minhas viagens, recebi a notícia de que minha mãe estava hospitalizada. Ela morreu no Dia das Mães. E senti que minha sorte havia partido com ela.

 

Para continuar ajudando minha família, entrei para o crime. Acabei me tornando um assaltante de banco e sequestrador. Fui um dos criminosos mais procurados pela polícia do Rio.

Fé na educação

Fé na educação

junho 21, 2017 By instituto-phi

Você conhece a Irmã Adma? Ela é uma dessas pessoas que te cativam em 1 minuto de conversa. E não é por acaso. Com um olhar sereno e história de dedicação ao próximo, ela fundou a Associação Beneficente Amar, que atende crianças e jovens em situação de rua. Se você perguntar a ela se não tem medo de uma população muitas vezes temida pela sociedade, ela é rápida em responder: “São só crianças. Usam a agressividade como capa. Experimente chamá-los de ‘meu filho’ e você verá aquela capa cair”.

 

Irmã Adma, por ela mesma
Meu nome é irmã Adma Cassab Fadel e desde muito jovem senti o apelo de estar ao lado de crianças e adolescentes que sofrem a falta de coisas, de afeto e de possibilidades. Por isso dediquei a minha vida a estar ao lado dessas crianças e, com isso, encontrei pessoas que tinham o mesmo ideal, a mesma vocação, principalmente. Frei Carmelo Cox, Carmelitano que estava disposto a apoiar o trabalho com crianças de rua no Centro do Rio de Janeiro.

 

Começamos o trabalho junto a Roberto José dos Santos e outras pessoas que tinham a mesma preocupação. Este trabalho cresceu, tornou-se uma entidade grande, a São Martinho, que foi conhecida também na Europa. A instituição, criada por nós, expandiu-se e virou referência no trabalho com criança.

 

No ano 2000 criamos a Associação Beneficente Amar no mesmo trabalho de educação e recuperação de crianças adolescentes e jovens mais empobrecidos e também mais sofridos e esquecidos da sociedade.

Eficiência, empatia, comprometimento e transparência: um pouco sobre o Instituto Phi

Eficiência, empatia, comprometimento e transparência: um pouco sobre o Instituto Phi

junho 14, 2017 By lu-calaza

No primeiro ano, 2014, eles conseguiram apoio financeiro para 14 projetos sociais do Rio de Janeiro. Depois vieram mais 39 em 2015, mais 73 em 2016 e, agora, nos primeiros 4 meses de 2017, mais 80. Resultado: em pouco mais de três anos, o Instituto Phi, que faz a ponte entre quem quer doar e organizações sociais sérias, garantiu o apoio a um total de 206 projetos, de 54 organizações, que impactaram 288.625 pessoas direta e indiretamente e movimentaram R$ 10,7 milhões para o Terceiro Setor.

 

Aquele desejo próprio dos jovens de fazer a diferença no mundo foi o que moveu a publicitária Luiza Serpa a abandonar uma bem-sucedida carreira corporativa para criar o Instituto Phi e começar a bater nas portas de cariocas com alto poder aquisitivo para apresentar projetos de investimento social. A equipe era enxuta: Luiza, o jornalista Marcos Pinheiro e a economista Fernanda Tizatto. No ano passado, o Phi passou a atuar também em São Paulo e a equipe cresceu: agora, eles são sete. Uma turma que acredita no poder de transformação social de cada cidadão.

 

Como eles conseguiram chegar a um resultado tão bom num país em crise e com escassez de recursos fiscais? Com certeza não foi graças ao famoso “pistolão”:

“Sou de uma família de classe média, então tive que começar com uma pesquisa para saber em que portas bater, descobrir quem eram as pessoas com possibilidades de fazer doações.

Um caminho para a cidadania

Um caminho para a cidadania

junho 7, 2017 By instituto-phi

“Tia, me leva para a sua casa”. Há mais de 30 anos, essa é a frase que​ irmã Adma Cassab Fadel mais escuta. E a senhora, de cabeleira branca, atende ao pedido. Ela dirige a Associação Beneficente Amar, que oferece orientação pedagógica e psicológica a crianças e adolescentes vítimas de violência ou negligência das próprias famílias no Estado do Rio.

 

“Há uma diferença sutil entre crianças na rua e crianças de​ rua. As crianças na rua estão vendendo balas, trabalhando como engraxates, flanelinhas ou lavando para-brisas. As crianças de rua não suportaram o peso da responsabilidade desproporcional à sua idade, ou não suportaram a violência, e se desligaram de tudo, inclusive de suas famílias. Ninguém prefere viver na rua, mas eles descobrem que é melhor para eles”.

 

Em 1983, depois de oito anos dirigindo escolas grandes em Uberlândia e Belo Horizonte, a irmã salesiana veio ao Rio de Janeiro dirigir uma pequena pré-escola, um pensionato para universitárias e uma comunidade para religiosas idosas.  Mas, logo, ela sentiu​ que havia chegado o momento de se dedicar também às crianças mais necessitadas. Pensou nas que perambulavam pelas ruas. 

 

“Nunca tive medo delas. São só crianças. Usam a agressividade como capa. Experimente chamá-los de ‘meu filho’ e você verá aquela capa cair”.

 

No ano 2000, junto com alguns desses meninos, que então já eram adultos,

Faixa preta na captação de recursos

Faixa preta na captação de recursos

maio 31, 2017 By instituto-phi

O esporte é a mola propulsora de um ambicioso e reconhecido projeto de transformação social no Rio de Janeiro. Reunindo atletas da seleção olímpica, como Rafaela Silva e Victor Penalber, a iniciativa envolve 1.300 alunos. O orçamento anual de R$ 4,5 milhões. Apesar da fama de um de seus criadores – o judoca e medalhista olímpico Flávio Canto – o Instituto Reação, como toda organização social, precisa investir um esforço permanente para manter-se com sustentabilidade.

 

No fim de 2015, o Reação, que é um dos apoiados pelo Instituto Phi, perdeu dois grandes patrocinadores. Para fechar 2016 no azul, precisou redobrar os esforços. Organizou um jantar solidário que foi muito além dos tradicionais eventos de caridade e que serve de inspiração para muitas organizações sociais por aí.

 

Michele Oliveira, executiva de Relacionamento com Parceiros do Instituto Reação, explica:

 

“Decidimos que seria importante diversificar as fontes de doações para evitar que perdas como a de 2015 não impactem a sustentabilidade financeira do Instituto. Com isso bolamos mais estratégias para angariar fundos de pessoas físicas e tivemos a ideia do Jantar Solidário que, esperamos, seja anual”.

 

Para proporcionar uma noite verdadeiramente impactante, o instituto correu atrás de parcerias. O Copacabana Palace cedeu o salão. O ator Lúcio Mauro Filho e o jornalista Alex Escobar, que apresentaram o evento, e os cantores Toni Garrido, Sérgio Loroza,

Quanto custa salvar uma vida?

Quanto custa salvar uma vida?

maio 24, 2017 By instituto-phi

Não continue a ler se não gosta de se sentir desconfortável ou desafiado. No entanto, esperamos que continue a ler e que pense sobre isto com cuidado: se salvar uma criança a afogar-se num pequeno lago não implicasse qualquer risco, mas pudesse estragar seu melhor par de sapatos, você estaria disposto a salvar a criança, certo? Então, por que não estamos dispostos a doar o valor desse par de sapatos para ajudar quase 10 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade que morrem todos os anos por causas relacionadas à pobreza?

 

É com essa provocação que o filósofo australiano Peter Singer, considerado pela revista “Time” uma das cem pessoas mais influentes do mundo, inicia o livro “Quanto custa salvar uma vida?” (Editora Campus Elsevier, 2009), em que defende que as ações sociais não são, apenas, responsabilidade do governo e das empresas, mas devem estar presentes no dia a dia de todos os cidadãos. 

 

Para justificar essa ideia, o especialista, que é também fundador presidente da IAB – Associação Internacional de Bioética, cita uma série de argumentos. Entre eles o fato de que existem, hoje, bilhões de pessoas no mundo que vivem, por dia, com menos do que muitos de nós pagaríamos por uma garrafa de água e que, portanto, ajudar ao próximo com o que nos parece insignificante já pode fazer grande diferença no mundo. 

 

Para criar um modo de vida mais desprendido,

As primas ricas

As primas ricas

maio 17, 2017 By marcos_y6f793kj

Para elas, um minuto vale ouro. Ou melhor, vale dinheiro, muito dinheiro. As chamadas assets, empresas de gestão de recursos financeiros de terceiros, administram fortunas e movimentam altas somas todos os dias. Então, por que não reservar uma pequena parte – 1% do lucro líquido, por exemplo – para filantropia?

 

Foi o que fez a gestora de recursos brasileira que vamos chamar de Asset, pois um dos princípios da empresa para a ação de responsabilidade social é justamente o anonimato, já que a iniciativa não tem qualquer motivação mercadológica.

 

Para que o investimento tivesse resultados efetivos sem depender de uma estrutura ou da contratação de uma equipe especializada no terceiro setor, a opção foi trabalhar em parceria com o Instituto Phi, que faz a ponte entre doadores e projetos sociais de qualidade e monitora a aplicação dos recursos garantindo impacto social.

 

A cada seis meses, quando são apurados os resultados da empresa, são feitas as doações. Os critérios definidos pela Asset para a ação social foram: 1) apoiar ONGs dentro das causas escolhidas por ela, que são saúde e educação; 2) Não tornar qualquer ONG dependente da gestora, diversificando assim o investimento social; 3) destinar 50% da verba para projetos com apoio recorrente (todo mês, por, no mínimo, um ano) e outros 50% para ajuda pontual (construção de uma sede, reformas, compra de um equipamento etc.); 4) Ter poucos projetos recorrentes por não terem previsibilidade do montante a ser doado a cada semestre.

5 dicas para captar recursos sem amadorismo

5 dicas para captar recursos sem amadorismo

maio 10, 2017 By instituto-phi

A despeito da crise econômica, tem bastante dinheiro sobrando para doação no Brasil. Mesmo assim, as organizações sociais encontram dificuldade de se manter com sustentabilidade. Apesar de precisar de dinheiro para sobreviver, a maioria das instituições não dispõe de uma área de captação de recursos. E, quando ela existe , funciona de forma amadora. É mais ou menos assim: o Joãozinho busca a doação de arroz, paga as contas, troca a lâmpada e, quando surge uma oportunidade de conversar com uma empresa ou um milionário, bota aquela camisa social bonita e vai.

 

Bom, alguém precisa falar o óbvio: para ganhar a atenção de doadores em potencial, é fundamental que as instituições apresentem um projeto bem planejado, que demonstre o poder de transformação social de seu trabalho. Não há mais espaço para o improviso. Além disso, paixão pela causa, sensibilidade, entusiasmo, persistência e criatividade são essenciais nessa tarefa.

 

Vai encarar a missão? Então, confira cinco dicas simples para não fazer feio.

 

Estude as empresas com quem você vai falar

Antes de mais nada, é preciso fazer uma pesquisa sobre potenciais doadores, respeitando critérios como a identificação com a causa que você defende, a disponibilidade de recursos (quem não tem recursos não pode patrocinar) e os objetivos da empresa. Assim como numa entrevista de emprego, é obrigatório fazer a lição de casa e estudar a organização.

Solidariedade: afinal, o que nos move?

Solidariedade: afinal, o que nos move?

abril 25, 2017 By instituto-phi

Faça o que eu digo e também faça o que eu faço. Achou que tem alguma coisa errada no velho ditado, certo? Não quando aplicado a Marcos Flávio Azzi, profissional bem sucedido que passou os últimos oito anos buscando dinheiro para causas sociais. Não, também não é só mais um rico promovendo chás beneficentes e outros eventos do gênero. Azzi é um empreendedor do bem-estar social, um homem que quer para os outros o que conquistou para si. Parece simples, mas dá trabalho.

O filantropo é mineiro. Veio de uma família humilde do interior e fez carreira no mercado financeiro em São Paulo, numa empresa que se tornaria, rapidamente, uma das maiores do Brasil. A companhia foi vendida para um banco suíço e, assim, em 2009, o bem-sucedido Azzi se viu com a vida ganha já aos 30 e poucos anos de idade. O que seria um sonho para muitos o sacudiu de forma definitiva. Ele não queria, simplesmente, se acomodar e desfrutar os louros. A ambição era diferente: começou a doar boa parte de seu patrimônio – e tempo – para auxiliar na reforma de casas de baixa renda na periferia de São Paulo.

Desligado de vez do mercado financeiro, Azzi se dedicou a inspirar, motivar e auxiliar empresários e pessoas físicas de alto poder aquisitivo a atuar em filantropia de forma consciente e eficaz, criando em São Paulo o Instituto Azzi. O mesmo senso de oportunidade utilizado na antiga profissão passou a determinar seus movimentos na nova empreitada.

O que você faz pelo Rio?

O que você faz pelo Rio?

abril 22, 2017 By marcos-pinheiro

Texto escrito em 2015 para o site #Colabora, ainda atual:

 

O ano de 2015 não tem sido fácil para o Rio de Janeiro. Não bastando a crise econômica e política do país, os cariocas sentiram um aumento da violência que relembrou a década de 90. Mesmo com os números oficiais apontando a queda dos homicídios, o aumento dos pequenos crimes e a crise das UPPs elevou a sensação de insegurança.

 

Este momento de crise multifacetada é uma excelente oportunidade para a população refletir sobre o seu papel na vida pública. Já é hora da sociedade civil carioca entender que enquanto ela não assumir o protagonismo da cidade essa realidade vai continuar. Reclamar dos governantes não mudará nada. Já é difícil que um só governo dê conta de uma cidade de 7 milhões de habitantes, quanto mais uma metrópole com desafios tão grandes quanto o Rio de Janeiro.

 

Não devemos jogar no governo nossas frustrações. Isso não vai melhorar nada. O governo será, com boa sorte, um agente para ajudar a transformar.

 

Quem tem o poder de mudar o Rio são os cariocas. A maioria de nós dispõe de algum recurso que pode colocar à disposição de uma causa. Pode ser dinheiro, tempo, energia ou, provavelmente, os três. Mas quantos colocam? Quantos doam/se doam consistentemente a uma causa. Infelizmente, somos uma sociedade de reclamadores que joga no governo suas frustrações.