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Engajamento social: uma reflexão sobre a cultura de doação no Brasil

Engajamento social: uma reflexão sobre a cultura de doação no Brasil

janeiro 5, 2018 By marcos-pinheiro

Texto escrito por Lucas Borges e postado em www.politize.com.br

cultura de doação de um país é um indício da maturidade e evolução da consciência coletiva de uma sociedade. Ou seja, podemos entender que, quanto mais elevada é a cultura de doação de um país, mais pessoas possuem o entendimento de que elas também são parte da transformação positiva da sociedade e, também, são responsáveis para que essa transformação aconteça.

 

Uma das principais fontes de medição e entendimento da cultura de doação de cada país é o Índice de Solidariedade Mundial (World Giving Index), que mede o nível de solidariedade e engajamento social da população dos países pesquisados. Assim, através de pesquisas e entrevistas, o World Giving Index joga luz sobre as ações solidárias de cada população, focando em três quesitos:

1) Ajudar um estranho;

2) Doar dinheiro para uma ONG;

3) se voluntariar para uma causa social.

 

Em todos os quesitos, em termos proporcionais, o Brasil não figurou entre os 10 primeiros países. A análise sob a ótica da proporcionalidade é feita para colocar todos os países no mesmo ponto de partida, para medir essencialmente o percentual da população que realizam ações solidárias e assim evitar que países com grande população como China,

Feliz 2018 :)

Feliz 2018 :)

dezembro 20, 2017 By instituto-phi

2017 chega ao fim e, com ele, o 4º ano de funcionamento do Instituto Phi. Podemos dizer, com tranquilidade, que o Instituto ainda está na infância. E, com a mesma calma, que tem sido uma infância muito feliz.

 

Fundamos o Phi em março de 2014, 20 dias antes do Brasil entrar, formalmente, em recessão. Alguns poderiam ter dito que escolhemos a dedo um momento especialmente difícil. Naquela época, porém, cidadãos não-especialistas, como nós, não sabiam que a economia do Brasil estava para encolher. Mas, se soubéssemos, acho que teríamos feito a mesma escolha.

 

Em 2017 movimentamos cinco vezes mais recursos para projetos sociais do que em 2015 – um crescimento bem maior do que esperávamos, ainda mais contando com uma equipe de apenas seis pessoas. Durante essa crescente sentimos pouquíssimo os efeitos da crise no nosso trabalho. Poucos deixaram de doar e muitos passaram a doar. Na maioria dos momentos, na verdade, sequer lembramos que ela existia.

 

Sabemos que estamos vivendo momentos difíceis politicamente, economomicamente.  mas acreditamos que a crise ou quaisquer outros obstáculos ganham muito mais força quando damos importância a eles. Quando ela terminar (o que vai acontecer) haverá um outro bode expiatório do qual poderemos reclamar. Se não houver nada, o tal “brasileiro não tem cultura de doação” estará sempre ali. Independente do alvo da queixa, ela seguirá nos levando a lugar nenhum.

 

Gestão de organizações sociais: o importante equilíbrio entre o amor à causa e a razão

Gestão de organizações sociais: o importante equilíbrio entre o amor à causa e a razão

dezembro 1, 2017 By instituto-phi

Texto publicado no blog nossacausa.com Por Verônica Stasiak Bednarczuk.

 

Quantas vezes você já ouviu (ou disse) a frase “eu faria qualquer coisa pelo meu filho”? Suponho que muitas vezes. E quantas pessoas fazem de tudo pelo seu filho, mas também fazem muito por tantos outros filhos que passam pela mesma condição que o seu?

 

Ao longo destes últimos sete anos atuando voluntariamente no setor social, tive o imenso prazer de conhecer pessoas que não se contentam apenas com a solução do seu problema, querem também colaborar com o abrandar da dor de quem está ao lado. Desta vontade nascem também organizações sociais incríveis e aqui utilizarei uma frase de Thomas Jefferson para explicar esse movimento: “quem melhor do que aquele que sentiu em carne própria uma ferida, pode suavemente curar a mesma ferida no outro”.

 

Para corroborar com Jefferson eu poderia citar centenas de pessoas que, a partir da sua dor, transformaram o mundo ao seu redor. Vou me restringir a três exemplos que tive a honra de conhecer em Curitiba:

 

Inicio com Alexandre Amorim, fundador da ASID Brasil que pensou em quantas escolas precisavam ser capacitadas para poderem receber de maneira adequada mais pessoas com deficiência que, assim como sua irmã, precisavam de uma vaga na escola. Hoje a ASID é referência no país na capacitação e no fortalecimento de instituições especializadas em pessoas com deficiência.

Heróis e Vilões — Redução da Maioridade Penal por quem convive diariamente com os jovens

Heróis e Vilões — Redução da Maioridade Penal por quem convive diariamente com os jovens

outubro 26, 2017 By instituto-phi

Escrito por Eduardo Caon, Coordenador de Educação do Departamento Estadual do DEGASE — Departamento Geral de Ações Socioeducativas — e idealizador do TV DEGASE e publicado originalmente no blog do Atados

 

Esteve em cartaz um filme de animação chamado “Megamente” da Dreamworks e ele conta, basicamente, a história de dois extraterrestres que caem na terra ainda bebês, sendo que quando eles crescem um se transforma num super-herói e o outro no vilão.

 

Discretamente mostrado ainda no início do filme, um deles cai num lar de uma família carinhosa e o outro no Presídio, não preciso dizer quem se tornou o que.

 

Este conto de animação em 3D colocou, em gigantes telas coloridas à nossa frente, a origem de mais de noventa por cento dos adolescentes em conflito com a Lei.

 

A maneira brincalhona e despretensiosa dos roteiristas joga luz num problema que a nossa sociedade não encontra tempo para pensar: “De onde vêm estes meninos e meninas?” ou ainda “Crianças já nascem bandidas?”. Minha experiência à frente da Coordenação de Educação do Departamento Estadual que cuida destes jovens — o DEGASE — me obrigou a responder isso, quando, rapidamente, você aprende que não deve perguntar pelos pais deles, pois ou é uma história de ausência ou pior: De violência.

 

Para muitos deles o conceito de honestidade é completamente desconhecido.

As mudanças começam em cada indivíduo

As mudanças começam em cada indivíduo

agosto 16, 2017 By instituto-phi

Artigo de Luiza Serpa, Diretora do Instituto Phi, publicado no jornal O Globo, em 2016:

 

“Sempre associamos avanços e melhorias sociais às ações governamentais. Sim, de fato elas fazem parte das obrigações do Poder Público, deveriam ser seu objetivo primordial. Mas não tenho a menor dúvida de que as mudanças só acontecerão quando partirem também do indivíduo. Não podemos nos distanciar das responsabilidades que temos na vida em sociedade, não podemos perder de vista que somos agentes de transformação.

 

Diante do peso que cada cidadão tem na construção da sociedade, fica claro que a filantropia exerce um papel fundamental no nosso cotidiano. O amor à humanidade é o intuito de quem a pratica. Uma sociedade filantrópica mostra o quanto está envolvida na redução de desigualdades, sofrimentos e na promoção permanente da inclusão. A sociedade que vivencia a empatia forma um coletivo melhor, mais forte e coeso.

 

A filantropia cumpre bem o papel de atenuar desigualdades, uma vez que transfere renda de ricos para pobres, disseminando os benefícios da posse de bens materiais. Quando uma pessoa doa, fica mais sensível às questões sociais. Esse fortalecimento de laços gera uma sociedade na qual a sensação de pertencimento facilita a busca do bem comum.

 

A ação social não deve ser vista como uma obrigação ou o pagamento de uma dívida do cidadão com o meio em que vive,

Quanto custa salvar uma vida?

Quanto custa salvar uma vida?

maio 24, 2017 By instituto-phi

Não continue a ler se não gosta de se sentir desconfortável ou desafiado. No entanto, esperamos que continue a ler e que pense sobre isto com cuidado: se salvar uma criança a afogar-se num pequeno lago não implicasse qualquer risco, mas pudesse estragar seu melhor par de sapatos, você estaria disposto a salvar a criança, certo? Então, por que não estamos dispostos a doar o valor desse par de sapatos para ajudar quase 10 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade que morrem todos os anos por causas relacionadas à pobreza?

 

É com essa provocação que o filósofo australiano Peter Singer, considerado pela revista “Time” uma das cem pessoas mais influentes do mundo, inicia o livro “Quanto custa salvar uma vida?” (Editora Campus Elsevier, 2009), em que defende que as ações sociais não são, apenas, responsabilidade do governo e das empresas, mas devem estar presentes no dia a dia de todos os cidadãos. 

 

Para justificar essa ideia, o especialista, que é também fundador presidente da IAB – Associação Internacional de Bioética, cita uma série de argumentos. Entre eles o fato de que existem, hoje, bilhões de pessoas no mundo que vivem, por dia, com menos do que muitos de nós pagaríamos por uma garrafa de água e que, portanto, ajudar ao próximo com o que nos parece insignificante já pode fazer grande diferença no mundo. 

 

Para criar um modo de vida mais desprendido,

Solidariedade: afinal, o que nos move?

Solidariedade: afinal, o que nos move?

abril 25, 2017 By instituto-phi

Faça o que eu digo e também faça o que eu faço. Achou que tem alguma coisa errada no velho ditado, certo? Não quando aplicado a Marcos Flávio Azzi, profissional bem sucedido que passou os últimos oito anos buscando dinheiro para causas sociais. Não, também não é só mais um rico promovendo chás beneficentes e outros eventos do gênero. Azzi é um empreendedor do bem-estar social, um homem que quer para os outros o que conquistou para si. Parece simples, mas dá trabalho.

O filantropo é mineiro. Veio de uma família humilde do interior e fez carreira no mercado financeiro em São Paulo, numa empresa que se tornaria, rapidamente, uma das maiores do Brasil. A companhia foi vendida para um banco suíço e, assim, em 2009, o bem-sucedido Azzi se viu com a vida ganha já aos 30 e poucos anos de idade. O que seria um sonho para muitos o sacudiu de forma definitiva. Ele não queria, simplesmente, se acomodar e desfrutar os louros. A ambição era diferente: começou a doar boa parte de seu patrimônio – e tempo – para auxiliar na reforma de casas de baixa renda na periferia de São Paulo.

Desligado de vez do mercado financeiro, Azzi se dedicou a inspirar, motivar e auxiliar empresários e pessoas físicas de alto poder aquisitivo a atuar em filantropia de forma consciente e eficaz, criando em São Paulo o Instituto Azzi. O mesmo senso de oportunidade utilizado na antiga profissão passou a determinar seus movimentos na nova empreitada.

Oi, blog :)

Oi, blog :)

abril 17, 2017 By instituto-phi

“Acabou o carnaval. Durante a euforia de quatro dias, a greve dos garis, os tiroteios e as mortes banais foram apenas panos de fundo de um palco de Pierrots e Colombinas. Nas cinzas, relembramos que havia uma cidade no meio da farra. O lixo não recolhido é apenas sintoma de um Rio que recebe o “maior show da terra”, mas educa mal suas crianças, não atende seus doentes, não abriga seus necessitados e mata como poucos lugares no mundo.

É para mudar (um pouco) essa (complexa) situação que o Instituto Phi Philantropia Inteligente começa a funcionar.”

 

Foi com esta mensagem que inauguramos o Instituto Phi, em 10 de março de 2014. Nos 38 meses seguintes, R$ 10 milhões movimentados para 176 projetos – e, mais que isso, muitas, muitas experiências novas e inimagináveis. Em cada visita, contrato, telefonema e reunião, um novo aprendizado.

 

Conforme íamos acumulando histórias, uma inquietude crescia: como tornar tudo isso disponível para uma grande quantidade de pessoas? A angústia só aumentou quando, em dezembro do último ano, fizemos uma café da manhã reunindo os projetos apoiados em 2016 e elaboramos uma pequena palestra com o que víamos no nosso dia-a-dia. Também escrevemos uma cartinha com uma mensagem para as ONGs. Para nossa alegria, o que comunicamos pareceu ser muito útil aos projetos – o que só reforçou nossa sensação de que compartilhar o que vivíamos era preciso.