Júlia Rangel, do projeto Rede Postinho de Saúde

julho 12, 2017 By instituto-phi

Prestes a concluir a faculdade de psicologia, Júlia Rangel fazia estágio no projeto social Olha para Mim.  Era uma das mais empolgadas com o programa, voltado à assistência de pessoas em situação de risco nas ruas. Quando recebeu a notícia de que, por falta de recursos, o projeto teria que encerrar suas atividades, tomou a decisão de continuar atuando por conta própria. Subiu o Morro do Cantagalo, no Rio de Janeiro, e se ofereceu para, uma vez por semana, prestar atendimento gratuito a moradores.

 

Foi com apelos nas redes sociais que Júlia conseguiu envolver outros profissionais da área de saúde com a iniciativa. Em 2010, já com maior número de voluntários, criou a Rede Postinho de Saúde. A ONG ganhou tanta força que tem gente de São Paulo enfrentando a ponte aérea para ajudar. Confiante, ela acredita que, se cada um fizer a sua parte, tudo fica mais fácil para todo mundo.

 

Júlia Rangel, por ela mesma

Se cada um der a sua colaboração, mesmo que pequena, o pouco vira muito. Eu não vou mudar o mundo, mas posso fazer com que as pessoas vivam com mais dignidade. Desde criança, presto muito atenção à minha volta, às injustiças e à desigualdade social. Sempre gostei de conhecer, conversar, participar e ajudar os outros. Essa minha capacidade de observação e interação me fez buscar soluções, tentar mudar o estado das coisas.

 

Esse incômodo foi crescendo junto com meu amadurecimento e, quando me formei, senti que não poderia mais adiar meu propósito de ser útil. Na minha profissão, vi a oportunidade de efetivamente fazer algo para diminuir essas barreiras sociais.

 

A rede começou pequena, mas, como a vida é uma grande troca, o projeto cresceu para além das minhas expectativas. Hoje, trocamos conhecimento, amor, experiências. Trabalhar com o social me fez entender os problemas que vivemos de forma sistêmica e essa compreensão me dá força para perseverar e me reinventar todos os dias. Eu mudo, o outro muda e assim, com pequenos passos, o mundo vai mudando. É nisso que acredito!

 

Sobre a Rede Postinho de Saúde

Com sete anos de atividades, o projeto recebe mulheres a partir de 13 anos. Reúne mais de 30 voluntários e presta atendimento a 320 pessoas por mês. Na lista de especialidades estão: assistência médica, psicoterapia, fisioterapia, nutrição e terapias alternativas (reike, acupuntura e florais, entre outras).

 

A organização acaba de iniciar também grupos de atendimento para mulheres negras, idosas e adolescentes grávidas, além de um curso direcionado ao coletivo LGBT. A ONG conta com doações e a realização de eventos para arrecadar fundos. Por seu trabalho na Rede Postinho de Saúde, Júlia Rangel recebeu os prêmios Dom, do Grupo Fleury, em 2013, e Fundo de Mulheres, da Brazil Foundation, em 2016.