O que você faz pelo Rio?

abril 22, 2017 By marcos-pinheiro

Texto escrito em 2015 para o site #Colabora, ainda atual:

 

O ano de 2015 não tem sido fácil para o Rio de Janeiro. Não bastando a crise econômica e política do país, os cariocas sentiram um aumento da violência que relembrou a década de 90. Mesmo com os números oficiais apontando a queda dos homicídios, o aumento dos pequenos crimes e a crise das UPPs elevou a sensação de insegurança.

 

Este momento de crise multifacetada é uma excelente oportunidade para a população refletir sobre o seu papel na vida pública. Já é hora da sociedade civil carioca entender que enquanto ela não assumir o protagonismo da cidade essa realidade vai continuar. Reclamar dos governantes não mudará nada. Já é difícil que um só governo dê conta de uma cidade de 7 milhões de habitantes, quanto mais uma metrópole com desafios tão grandes quanto o Rio de Janeiro.

 

Não devemos jogar no governo nossas frustrações. Isso não vai melhorar nada. O governo será, com boa sorte, um agente para ajudar a transformar.

 

Quem tem o poder de mudar o Rio são os cariocas. A maioria de nós dispõe de algum recurso que pode colocar à disposição de uma causa. Pode ser dinheiro, tempo, energia ou, provavelmente, os três. Mas quantos colocam? Quantos doam/se doam consistentemente a uma causa. Infelizmente, somos uma sociedade de reclamadores que joga no governo suas frustrações.

 

Há inúmeros projetos sociais maravilhosos que, apesar de enfrentarem corajosamente problemas que incomodam a todos, são obrigados a lutar diariamente para sobreviver. Precisam lutar por espaço, por dinheiro, por voluntários, enfim, por tudo. Cadê, nesses casos, a ajuda da sociedade que se diz tão revoltada?

 

Conheço, por exemplo, um projeto que atua na capacitação profissional de ex-detentos para reinseri-los socialmente. Poucas pessoas sabem, mas 80% das pessoas que saem da prisão voltam a cometer crimes. 80%! O Banco da Providência tem uma metodologia que capacita profissionalmente os egressos e os coloca no mercado de trabalho. O índice de reincidência, neste caso, é de 5%. Incrível, não? Ainda mais numa sociedade que reclama diariamente da violência. Porém, mesmo com um trabalho reconhecido, eles têm dificuldades de conseguir fechar as contas no fim do mês. Cadê a sociedade engajada nesse caso?

 

Há um outro projeto, o Amar, que busca ressocializar moradores em situação de rua. Proporcionar a eles uma vida mais digna e condições de seguir outro rumo. Um trabalho também fundamental, se considerarmos a amplitude que este problema tem tomado nos últimos anos. E, adivinha… também pena para fechar as contas no fim do mês.

 

A crise está ai, atinge a todos e exige a dedicação de todos para ser superada. A solução não virá, como mágica, do governo Escolha uma causa, busque projetos que lidem com ela, disponha os recursos que tem em mãos (não seja econômico). Em uma cidade com tantos problemas sociais não se envolver com eles é quase o mesmo que apoia-los.