Samuca da paz

junho 28, 2017 By instituto-phi

Mudar o próprio destino exige coragem e grande esforço. Mudar o destino de outras pessoas pode ser ainda mais desafiador. A história de Samuel Muniz de Araújo, o Samuca, se assemelha à de milhões de crianças e jovens Brasil afora. O que diferencia sua trajetória é a forte aposta na esperança e na transformação da sociedade. Criado em favelas da Zona Oeste, ele demorou a encontrar o caminho que o realizaria. Começou a trabalhar aos 11 anos, perdeu a mãe pouco depois e, em busca de dinheiro para sustentar o restante da família, tornou-se um dos criminosos mais procurados da cidade na década de 1980.

 

Em liberdade há 20 anos, Samuca conta como virou o jogo e passou a encabeçar o Centro Cultural A História Que Eu Conto, instituição social que atua em Vila Aliança, em Bangu.

 

Samuca, por ele mesmo

Comecei a trabalhar ainda criança como pescador, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Por causa disso, tive que abrir mão dos estudos e do sonho de jogar futebol. Durante uma de minhas viagens, recebi a notícia de que minha mãe estava hospitalizada. Ela morreu no Dia das Mães. E senti que minha sorte havia partido com ela.

 

Para continuar ajudando minha família, entrei para o crime. Acabei me tornando um assaltante de banco e sequestrador. Fui um dos criminosos mais procurados pela polícia do Rio. Preso e condenado em 1990, cumpri pena de sete anos de detenção.

 

Na prisão, tive uma revelação enquanto dormia. Uma voz me disse que recuperaria minha liberdade em 1996. Aquilo mudou minha vida. Larguei o crime e assumi um compromisso com Deus: divulgar a minha história para que, observando meu exemplo, crianças e adolescentes não tivessem que passar por tudo que eu passei. Há oito anos, criei o Centro Cultural A História Que Eu Conto, ONG fundada para promover ações sociais nas mesmas favelas em que me criei.”

 

Sobre o Centro Cultural A História Que Eu Conto (CCHC)

Desde 2008, o CCHC desenvolve projetos culturais voltados para crianças, adolescentes, jovens e suas famílias, além de atuar com articulações em rede no âmbito comunitário, público, privado e não governamental. Por meio de projetos patrocinados pela Casa da Moeda do Brasil, FASE, UNICEF, Petrobrás, Secretaria do Estado de Cultura, e apoio do Instituto Rio e Instituto PHI o CCHC em 8 anos de existência já executou 18 projetos e promoveu 20 ações nas áreas de desenvolvimento humano, cultural, social, e local.