Um caminho para a cidadania

junho 7, 2017 By instituto-phi

“Tia, me leva para a sua casa”. Há mais de 30 anos, essa é a frase que​ irmã Adma Cassab Fadel mais escuta. E a senhora, de cabeleira branca, atende ao pedido. Ela dirige a Associação Beneficente Amar, que oferece orientação pedagógica e psicológica a crianças e adolescentes vítimas de violência ou negligência das próprias famílias no Estado do Rio.

 

“Há uma diferença sutil entre crianças na rua e crianças de​ rua. As crianças na rua estão vendendo balas, trabalhando como engraxates, flanelinhas ou lavando para-brisas. As crianças de rua não suportaram o peso da responsabilidade desproporcional à sua idade, ou não suportaram a violência, e se desligaram de tudo, inclusive de suas famílias. Ninguém prefere viver na rua, mas eles descobrem que é melhor para eles”.

 

Em 1983, depois de oito anos dirigindo escolas grandes em Uberlândia e Belo Horizonte, a irmã salesiana veio ao Rio de Janeiro dirigir uma pequena pré-escola, um pensionato para universitárias e uma comunidade para religiosas idosas.  Mas, logo, ela sentiu​ que havia chegado o momento de se dedicar também às crianças mais necessitadas. Pensou nas que perambulavam pelas ruas. 

 

“Nunca tive medo delas. São só crianças. Usam a agressividade como capa. Experimente chamá-los de ‘meu filho’ e você verá aquela capa cair”.

 

No ano 2000, junto com alguns desses meninos, que então já eram adultos, e com amigos que já haviam financiado seus trabalhos sociais de rua e de comunidades, irmã Adma fundou a Associação Beneficente Amar, que é uma das instituições apoiadas pelo Instituto Phi.

 

Dia após dia, as equipes da Amar vão às ruas encontrar essas crianças e jovens e, com metodologia embasada na paciência, amabilidade e confiabilidade, oferecem a eles um convite. Na equipe, educadores, assistentes sociais, psicólogos e educadores os motivam a ir até a Amar.

 

“Abrimos nossas portas e oferecemos atividades diversas. Nossa equipe conversa com cada um deles para entender às suas particularidades, ampará-los e prepará-los para uma nova vida. É um esforço gradual. Continuamente os convidamos para uma nova etapa, até que aceitem, sem reservas, os encaminhamentos necessários para a reinserção social”, conta a irmã salesiana.

 

Vários projetos integram o trabalho da Amar, que atua no Rio e em Duque de Caxias. As crianças​, sob a tutela da associação, são matriculadas na escola, na natação e no futebol. Elas têm aulas de reforço escolar e participam de oficinas e passeios.

 

Um centro faz atividades de formação para os educadores da Associação Beneficente Amar e também faz a formação de jovens, ex-atendidos, na perspectiva da vocação profissional. 

 

“Eu não desanimo. Enquanto houver crianças de rua e eu tiver forças, não vou me ausentar ou me calar”.